Situada a 18 Km da cidade da Guarda, na EN 18-1, a Freguesia de Famalicão da Serra fica num vale orientado de NE / SO, tendo ao fundo o termo de Valhelhas e o rio Zêzere.
Acredita-se que as origens do povoado remontam à época pré-romana, conforme atestam alguns vestígios documentados: marcos miliários, troços de calçada e túmulos antropomórficos. A sua história prende-se com uma série de destruições e reconstruções, mostrando a resiliência das suas gentes.
Nos primeiros tempos da nacionalidade, e no âmbito da Reconquista Cristã, Famalicão terá sido devastado, tendo sido depois mandado reconstruir pelo rei Povoador que, no foral de 1187, concedeu aos Templários o termo da vila de Valhelhas – a cujo concelho Famalicão pertenceu até 1855.
Depois, durante a segunda metade do século XIX, Famalicão chegou a constituir concelho próprio, acabando depois por integrar o concelho da Guarda.
A localização e a disponibilidade de recursos naturais propiciaram a Famalicão uma prosperidade que, durante todo o século XX, se manifestou numa invejável diversidade de artes e ofícios, reunindo numa só aldeia, desde os mais tradicionais agricultores e pastores aos mais diversos artífices: cesteiros, cadeireiros, sapateiros, alfaiates, ferreiros e ferradores, albardeiros, carpinteiros e pedreiros, entre outros.
Paralelamente – e à imagem de todo o País –, a aldeia foi assolada por repetidas crises agrícolas e vagas de emigração, que esvaziaram os campos e o povoado. Reinventou-se então a economia local, que passou a centrar-se na alfaiataria, na indústria têxtil e nas pequenas empresas de serralharia, carpintaria e serviços diversos – atividades que, com o passar do tempo, haveriam igualmente de desaparecer, resistindo hoje algumas pequenas empresas de panificação, silvicultura, construção, pequeno comércio e agricultura familiar.
Permanece, porém, a vontade de manter vivas as tradições e identidade cultural, conforme atestam as sete coletividades atualmente em atividade, abrangendo setores como a solidariedade social, a proteção civil, a cultura e as atividades recreativas, envolvendo neste dinamismo, não apenas os cerca de 500 habitantes, como todos os “filhos ausentes” e amigos da terra.